Para cada leitor um site diferente

Como vimos, a correta exploração das capacidades interativas do hipertexto constitui um desafio para a maior parte dos autores de discursos na Web. Entretanto, quando discursos complexos que utilizam este potencial de maneira intensa são criados, é o leitor que encontra dificuldades. A leitura de textos não lineares configura um problema para o leitor acostumado a seguir uma narrativa de começo ao fim [Murray 1997]. Estamos acostumados a nos apropriar de um discurso em sua totalidade. A existência de múltiplas possibilidades gera uma sensação de desorientação ou perda, visto que fica evidente que o objeto texto contém outras possibilidades que não foram apreendidas [Santaella 2002]. Quão mais complexa a estrutura espacial que a interatividade constrói, maior a necessidade de criação de um “modelo-mapa-desígnio, isto é, um mapa que contém programas de viagem” [Santaella 2002:406] para orientar o leitor.

A outra possibilidade de transformação interativa dos textos reside nas tecnologias de personalização. A tecnologia apresenta várias possibilidades e, conforme comentado no capítulo anterior, temos a possibildade de realizar a transformação do texto, priorizando as opções interativas do leitor, ou a possibilidade de fazê-lo com total controle do escritor / produtor do site. No primeiro caso, vários sites jornalísticos apresentam a seus leitores formulários que lhes permitem escolher que tipo de artigos gostariam de receber em newletters enviadas a suas caixas de correio. Alguns aplicativos de eletronic banking oferecem ao usuário a possibilidade de determinar, interativamente, as informações que devem ser apresentadas logo que acessem suas contas no site do banco.

No segundo caso das tecnologias de personalização, temos a possibilidade de que sites da WWW reconhecem o internauta automaticamente, em função de visitas anteriores. Isto é feito, normalmente, através de cookies, pequenos arquivos que os sites armazenam no computador do internauta que lhe visita, contendo dados sobre suas ações interativas de visitas anteriores. A partir destes dados, os sites têm a possibilidade de alterar seu discurso de maneira dinâmica. O nível de personalização varia de maneira bastante larga. Em alguns sites, esta se restringe a tratar o usuário pelo nome com qual o internauta se registrou anteriormente. Com tecnologias mais robustas, como a utilizada pela livraria virtual Amazon (www.amazon.com), é possível não só conhecer o nome do usuário, como também determinar quais livros devem ser expostos na primeira página, em função de suas compras anteriores. Neste caso, temos um mecanismo de interatividade que permite que o sentido seja transformado, prioritariamente, no pólo do escritor / produtor e que produz mensagens de maneira dinâmica.